Mercado de Soja: expectativas, tecnologia e comercialização

No último webinar, que ocorreu no dia 26/04/18, o mercado de soja foi o assunto da vez. O palestrante Junior Rodrigues debateu sobre temas um pouco mais complexos, mas extremamente importantes para o futuro do agronegócio, como a formação de preços, hedges e o papel do produtor rural no cenário atual e futuro.

Vamos lá!

A soja é um das culturas mais relevantes e importantes para a economia mundial, uma prova disso é que a safra brasileira 2017/2018 alcance 112 milhões de toneladas, segundo estimativas, mantendo o Brasil na segunda posição (31% da produção mundial) entre os maiores produtores de soja do mundo – os Estados Unidos estão em primeiro lugar.  

Conhecer a parte prática na hora de plantar é essencial para garantir resultados positivos, mas entender um pouco mais sobre como o preço da cultura é formado também é interessante para ajudar em futuras decisões, afinal de contas, todo conhecimento é útil.

A soja possui uma conotação mundial, portanto, sua precificação é um pouco mais complicada do que a de outras culturas. Por exemplo, por mais que o produtor calcule o seu custo de produção, estipulando uma margem de lucro de acordo com a sua produtividade, ele também precisa dar atenção a outros parâmetros.

A Bolsa de Valores de Chicago (CBOT) é quem oferece um número na equação de formação do preço da soja para a exportação. A cotação da soja na CBOT é somada com o prêmio, que é uma remuneração extra para a entrega da soja para exportação. O pagamento de prêmios é negociado entre tradings e os compradores internacionais.

A base de cálculo é uma porcentagem da cotação de Chicago, que desconta os custos logísticos, ou seja, para avaliar os chamados “prêmios de exportação”, os importadores estimam os preços CIF (Custo, Seguro e Frete) do porto de destino e vão deduzindo-os das diversas etapas do processo de comercialização.

Existem inúmeras variáveis que podem infligir no preço da soja, tanto no mercado interno quanto no externo. Entretanto, é possível notar que a precificação tende a ocorrer, mercadologicamente falando, de fora para dentro.

O termo hedge também foi muito debatido na palestra, e, basicamente, representa o gerenciamento de riscos contra a oscilação de preços. Para entender melhor, o hedge serve para o produtor fixar determinado preço em relação à sua cultura.

Por exemplo, vamos supor que na entressafra o valor da soja esteja em R$ 70,00. Porém, o produtor não tem certeza de que no momento da venda a cultura estará com o mesmo preço.  Desta forma, é possível fazer um hedge, que irá fixar determinado valor, neste caso R$ 70,00, para a venda futura. Se alguns meses depois o valor tiver diminuído para R$ 65,00, o produtor receberá esta quantia e mais os R$ 5,00, fechando o preço fixado desde o início.

Por se tratar de previsões e apostas, este é um artifício que possui dois lados. No caso de o valor da soja estar maior no momento da venda do que quando o hedge foi fixado, o produtor irá receber o valor estipulado inicialmente e terá que pagar a diferença para o comprador do contrato. Entre os prós e contras, esta é uma forma de diluir e minimizar os riscos de possíveis perdas financeiras. É extremamente importante que seja feita uma consultoria com corretores confiáveis e competentes antes de tomar qualquer decisão, porque o travamento através de hedge é uma operação delicada.

O futuro do agronegócio também foi um tema debatido no webinar. Segundo dados da BASF, em 1970 um produtor rural produzia para 73 pessoas. Em 2010, este número já havia aumentado para 155 pessoas. Isto só foi capaz através da evolução tecnológica que invadiu o campo, ampliando a produtividade, aumentando a área de plantio e melhorando a qualidade das safras. Assim, o Brasil, atualmente, é capaz de alimentar um quarto da população mundial através da sua produção.

No ramo agrícola, a tecnologia ainda é vista com maus olhos por uma certa parcela de produtores, porém, é preciso incorporá-la aos negócios. Ela auxilia no controle de custos da produção, conta com ferramentas que facilitam o controle da safra, do plantio da cultura e do uso de defensivos. Existem centenas de instrumentos pensados especialmente para o campo, visando a melhoria dos resultados e o aumento da eficácia. É necessário seguir as tendências e modernizar, ainda mais, o ramo agro, pois o seu futuro está na aplicação de técnicas e  artifícios capazes de segmentar a produção para uma escala cada vez maior e eficiente.

É importante se manter atualizado em relação aos diversos temas que englobam o agronegócio. Por isso, esperamos que você tenha apreciado o conteúdo e aprendido o suficiente para utilizar na sua lavoura.

Caso tenha interesse em saber um pouquinho mais sobre assunto, basta se inscrever para ter acesso à palestra gratuita ministrada por Junior Rodrigues. Nela, ele se aprofundou nos temas debatidos neste post blog e conversou sobre outros.