Panorama do Agronegócio em Mato Grosso

A relação entre o agronegócio e o estado do Mato Grosso é bem extensa. O agronegócio é, na verdade, a atual base econômica de MT e de grande importância para o seu crescimento econômico, representando 50,5% do PIB estadual, segundo dados do Imea.

Conhecido como o celeiro do Brasil, o estado é o principal produtor brasileiro de soja, algodão e milho.

Cerca de 8% da área total de terras mato-grossenses é destinada para a produção agrícola de grãos. Essa porcentagem só tende a crescer devido aos investimentos feitos em tecnologia no agronegócio.

Segundo o IBGE, as culturas cultivadas no Mato Grosso em lavoura permanente são: banana, borracha, cacau, café, castanha de caju, coco-da-baía, goiaba guaraná, laranja, limão, mamão, manga, maracujá, palmito, pimenta-do-reino, tangerina, urucum e uva.

Em lavoura temporária, as culturas englobam milho, soja, algodão (maior produtor do Brasil), sorgo, amendoim, arroz, batata-doce, cana-de-açúcar, girassol, feijão, mamona, mandioca, melancia, melão, abacaxi e tomate.

Segundo o MAPA, até maio de 2017, o Mato Grosso era o primeiro lugar em concentração de produção agrícola, com 58 milhões de toneladas, seguido por Paraná (41,5 milhões), Rio Grande do Sul (35,3 milhões) e Goiás (22 milhões), totalizando 232 milhões de toneladas. Só estes quatro estados representaram 67% da safra nacional de grãos no ano passado. Esses números se devem à alta tecnologia empregada e à disponibilidade de terras para a atividade agrícola nos territórios.

Os municípios do MT costumam ter um desempenho relevante no setor por conta das grandes extensões de áreas cultivadas e adoção de alta tecnologia, que associada às boas condições climáticas, geram alta produtividade. Além disso, como o cultivo da soja e do milho ocorrem em épocas distintas, a área de plantio acaba sendo melhor aproveitada.

Segundo o último relatório de conjuntura econômica do estado, realizado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) e divulgado março de 2018, houve um crescimento de 4,4% no comparativo com a estimativa anterior do Valor Bruto de Produção (VBP), registrando R$ 63,96 bilhões. As culturas de soja, milho e algodão foram os principais fatores desta elevação.

Participação mato-grossense na produção de culturas*:

Nas três principais culturas do MT, o Brasil é o 2° maior produtor de soja, 3º em milho e 5º em algodão, no ranking de commodities.

Provando que o agronegócio no Mato Grosso só cresce, em 2010, o Valor Bruto da Produção (VBP) era de R$ 21,4 bilhões. Em 2017, foi de R$  63,7 bilhões. Em 2018, a estimativa do Imea é que a agricultura mato-grossense represente 76% do VBP, contra 24% da pecuária.

Mas por que o Mato Grosso é tão expressivo no agronegócio?

O estado tem diversos privilégios que vão desde recursos naturais e localização, até vantagens competitivas. Em se tratando de vantagens naturais, podemos citar uma temperatura propícia para a atividade agrícola, presença de luz solar, boas terras, relevo favorável, boa precipitação, presença de calcário e de rios. Porém, sofre um pouco com o solo e com a distância dos portos.

Em relação às vantagens competitivas, o estado consegue produzir em grande escala, sendo um dos maiores expoentes do setor no país. Investe muito em tecnologia para melhorar a fertilidade de seus solos e está criando uma cultura empreendedora, trazendo inovação para o agronegócio. Mas, existem entraves competitivos, e o principal deles é a infraestrutura logística: o custo de frete no estado é um dos mais altos do país . Além da falta de mão de obra qualificada e os altos tributos.

Mesmo assim, o agronegócio mato-grossense é um dos que mais cresce no país e suas perspectivas para os próximos anos são animadoras.

Uma das principais contribuições do agronegócio para o desenvolvimento do MT é a geração de empregos. Mas, além disso, o setor acaba gerando um benefício social quando capacita sua mão de obra, participa de projetos sociais e apoia tecnologias que promovem a sustentabilidade e inclusão social na agricultura.

Segundo o Imea, a tendência é que se convertam as pastagens em agricultura e se integrem cada vez mais lavoura, pecuária e florestas. Outras grandes tendências são as Usinas de Etanol Flex, que envolvem a cana-de-açúcar e o milho.

Além disso, os esforços para aumentar a qualidade da produção, já que em escala o Mato Grosso cresce a cada ano, fazem parte do futuro agrícola do estado.

Da porteira para dentro, há potencial de crescimento para as empresas que abastecem a agricultura como as de adubo, defensivos, maquinário, entre outras. Da porteira para fora, as empresas de produtos finais como a têxtil e de etanol tendem a crescer cada vez mais a partir do agronegócio.

*Dados do Imea.