Mulheres do campo: como estão prosperando no agronegócio

Em virtude do maior acesso à educação e profissionalização, e, também, devido ao esforço conjunto da sociedade para que a mulher possa assumir mais cargos de comando no mercado de trabalho, elas estão prosperando no agronegócio. A presença feminina neste setor tão importante para nossa economia está cada vez maior e mais importante. No campo, as mulheres estão conseguindo quebrar tabus antigos e assumir o comando de negócios na agropecuária, áreas em que a presença masculina sempre foi majoritária.

Um número cada vez maior de agricultoras, pecuaristas, executivas de empresas agro, pesquisadoras e agrônomas ocupam colocações de liderança. Esse fato foi divulgado no estudo “Todas as Mulheres do Agronegócio”, realizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), com as informações da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e com material colhido em 862 entrevistas com mulheres em posições de comando de diversos setores do agronegócio, distribuídas por todo o Brasil.

As entrevistadas foram divididas em 3 grupos: antes da porteira (serviços para a propriedade), dentro (produtoras em geral) e depois da porteira (comércio e industrialização).

Apesar de ainda serem a minoria, outra pesquisa sobre o tema mostra que sua presença no agronegócio vem crescendo. Segundo o Atlas das Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, em 2017:

É um índice relativamente baixo, mas que mostra uma evolução significativa considerando os números de 2003, quando a participação da mulher era de 3% e de 7% em 2008, segundo a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio.

Em relação às propriedades, em 15 países da União Europeia, as mulheres são donas de 20% das propriedades agrícolas, contra 77% dos homens e 3% do governo.

O perfil da mulher profissional do campo

Agora que vimos como a participação feminina no agronegócio está crescendo, vamos descobrir quem são essas mulheres? Elas são esposas, filhas, mães e avós que se destacam pela capacidade de gerenciar fazendas, criações, escritórios, gabinetes e outros setores da agricultura.

Segundo a pesquisa da ABAG, entre as 862 entrevistadas, a maioria reside nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Em relação às áreas de atuação, a agricultura sai ganhando:

A pecuária representa 25%, agropecuária com 20% e agroindústria com 13%. A pesquisa também abordou o papel das mulheres na adoção de tecnologia no agronegócio, relacionando a maior participação feminina no setor com o fato de haver mais comunicação e inovação no setor.

Segundo a ABAG, 20,1% das mulheres entrevistadas estão interessadas em aprender mais sobre o mercado da tecnologia agro. A busca por maior profissionalização também é grande entre as mulheres do campo, seja pela formação acadêmica, educação especializada, mestrados, doutorados ou cursos técnicos.

Elas estudam e se preparam melhor, por isso, estão ocupando mais posições de liderança no campo.

A pesquisa ainda mostra que muitas mulheres estão no meio rural por herança familiar, mas que esse não é o motivo predominante. A maioria delas, continua no meio agrícola por opção, principalmente entre as mais novas, e tem orgulho de trabalhar com o campo.

O preconceito que elas enfrentam

Apesar do cenário animador para as mulheres no agronegócio, elas ainda enfrentam diversos desafios, como o preconceito. Ainda na pesquisa realizada pela ABAG, do total de entrevistadas:

Para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, em vias de alcançar a igualdade de gênero, é preciso fomentar uma participação plena e efetiva das mulheres na tomada de decisões econômicas e políticas em seus países, além de garantir o seu acesso aos recursos econômicos em condições de igualdade.

As mulheres do agronegócio já venceram diversas barreiras para conquistar o seu espaço no setor e estão dispostas a se preparar cada vez mais para assumir mais protagonismo em todos os tipos de atividades agrícolas. Ainda há um longo caminho a se percorrer para que elas vençam todos os tipos de preconceito, mas, se depender delas, isso acontecerá em breve, pois deixam claro que querem ir ainda mais longe.

 

O Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio é mais uma prova do quanto a presença feminina no setor agrícola vem ganhando mais espaço e de como ela é importante. Em 2018, o Congresso tratou do tema “2030 – O futuro agora, na prática”, com especialistas que abordam tópicos tecnológicos que parecem vindos do futuro, mas que já podem ser aplicados na prática como Big Data, previsões climáticas, nanotecnologia e agroenergia, por exemplo. As temáticas vem ao encontro do interesse das mulheres em beneficiar o agronegócio brasileiro através da inovação. A Markel apoia essa iniciativa porque também entende a importância do papel feminino para a agricultura.