Panorama Cultura de Soja

O Brasil tornou-se uma potência agrícola nos últimos anos e a soja tem um grande papel nesse título. Hoje, é o segundo maior produtor de soja do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Além disso, o aumento exponencial da demanda mundial por alimentos abriu espaço para o país competir globalmente no mercado de commodities, tornando-se o maior exportador da leguminosa no globo.

Demorou mais de 500 anos desde os primeiros registros da soja no mundo para que nossa civilização ocidental valorizasse a leguminosa na alimentação, principalmente por conta de seu valor protéico. Mas hoje, ela é uma das mais importantes. No Brasil, foi preciso buscar evoluções tecnológicas e expansão das fronteiras produtivas para que a soja ganhasse escala e levasse o país ao patamar atual de produção.

Para ter uma ideia da importância da cultura em nosso agronegócio, vamos observar alguns números mais recentes de safras. Em 2017, segundo a Conab:

 

Dentro do país, muitos são os estados que possuem uma grande participação na produção, sendo os principais o Mato Grosso, seguido do Paraná e do Rio Grande do Sul.

Além da concentração no Centro-Sul, a produção de soja também está migrando para áreas no Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia (que formam o Matopiba), Pará e Rondônia. Na última safra (2016/2017), a produção dessas áreas totalizou 13,2% do total brasileiro. Indicadores demonstram que a produção agrícola de soja ainda continuará crescendo para o Norte, principalmente na região do Matopiba, que apesar das deficiências de infraestrutura, tem preços de terras atrativos, clima equivalente ao do Cerrado e relevo favorável.

Confira os panoramas do agronegócio nos estados BAHIA e MARANHÃO.

A soja é um produto extremamente importante não só para nossa alimentação, mas também para a economia. O Brasil é o maior exportador de soja do mundo:

Total exportado: U$ 31,7 bilhões

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Agora que vimos o quão importante a soja é no mercado agrícola brasileiro, que tal conhecermos um pouco mais de sua história?

História da soja no Brasil

A soja que cultivamos atualmente não é a mesma de centenas de anos atrás. No passado, a soja era formada por plantas rasteiras do leste da Ásia, principalmente na China. As sementes começaram a evoluir após o cruzamento de duas espécies de soja selvagem, sendo depois melhorada por cientistas chineses. Nessa época, a soja chegou a ser considerada um grão sagrado, junto com o arroz, trigo, cevada e milheto.

Antes de chegar aos campos brasileiros, tentativas de introdução em países da Europa, como Inglaterra, Alemanha e também na Rússia, fracassaram, provavelmente por conta do clima desfavorável.  

No final da década de 60, dois fatores despertaram a curiosidade do Brasil em relação à soja como produto comercial:

O Brasil também acabou se beneficiando de uma vantagem competitiva em relação aos outros países: o escoamento da safra brasileira ocorre na entressafra americana, quando os preços atingem as maiores cotações. Desde a década de 1980, os investimentos em pesquisa levaram ao que chamamos de “tropicalização” da soja, o que permite que o grão seja plantado em regiões de baixas latitudes, entre o Trópico de Capricórnio e a Linha do Equador. Os esforços continuam sendo direcionados para adaptar cada vez mais o grão às condições brasileiras por entidades como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

De que é formada a soja?

A soja é uma leguminosa, como o feijão, a ervilha, a lentilha e o grão de bico. Nela, estão contidas proteínas, vitaminas A, C, E e do complexo B, minerais como cálcio, fósforo, ferro e potássio, e fibras, extremamente importantes para o funcionamento saudável do intestino.

Por ser um dos mais ricos alimentos em proteína, a farinha de soja desengordurada, por exemplo, é muito utilizada para enriquecer pães, bolachas, tortas e todo o tipo de confeitaria. Além disso, o isolado protéico do grão é também utilizado na fabricação de alimentos substitutos da carne animal. Ela é consumida de várias maneiras: farelo, óleo ou indústria farmacêutica, veterinária, como adubo e até mesmo em revestimento de tintas e plásticos.  A soja também é utilizada na produção de inúmeros alimentos, como:

  • Leite de soja: sem lactose e com quase os mesmos teores de proteína do leite de vaca;
  • Óleo de soja: um dos tipos de óleos mais consumidos;
  • Tofu: é o queijo de soja, rico em nutrientes;
  • Shoyu: é um molho de soja muito comum na culinária asiática para temperar carnes, legumes e peixes;
  • Proteína texturizada de soja (PTS): são grãos de soja submetidos à trituração, cozimento e secagem. Conhecida como carne de soja.
  • Farinha de soja: utilizada em pães, biscoitos, produtos infantis e macarrão.

 

A cadeia produtiva da soja

A soja é um produto agrícola que movimenta a economia em praticamente todos os setores, sendo fruto de uma cadeia produtiva complexa. Podemos dividir o processo em três etapas: antes, dentro e depois da porteira.

Nesta etapa estão envolvidas atividades como aquisição de insumos como sementes, fertilizantes, agroquímicos, tratores e implementos para a produção, tudo com o intuito de melhorar a produtividade da cultura e que correspondem a cerca de 11% do valor total do agronegócio.

Aqui está a produção propriamente dita (grãos, farelos, forrageiras, sementes, correspondendo a 26% do valor agronegócio.

Na última etapa, estão englobados beneficiamento, transporte, comercialização e industrialização do produto, que ficam com a maior fatia do valor do setor, 63%.

Em relação à distribuição da produção da cultura pelo solo brasileiro, hoje são 1.863 municípios produzindo soja, totalizando mais de 31 milhões de hectares e 212.265 produtores (incluindo gestores e donos de fazendas).

No processo produtivo da soja, podem ocorrer as supersafras, que são definidas pelo excesso de oferta e estoques do produto, ocasionando uma queda nos preços. Segundo a Embrapa, de 2012 até a safra 2017/2018, as safras têm crescido 20 milhões de toneladas por ano, enquanto nos 40 anos anteriores cresceram apenas 5 milhões de toneladas. Mesmo assim, o preço da soja continua bom, por conta da super demanda.

Para saber mais sobre o Mercado de Soja, em relação à formação de preços, tecnologias e comercialização, assista à palestra gravada exclusiva que a Markel produziu, com o consultor comercial da CBC Agronegócios, Junior Rodrigues:

E o futuro da soja?

Entre os principais desafios que a cultura enfrenta estão os fatores incontroláveis, como o clima e as oscilações da economia mundial, e os controláveis, que passam por políticas de incentivo, questões de tecnologia, manejo, controle de novas pragas e doenças e investimentos na propriedade. Mas as perspectivas são de crescimento para os próximos anos.

Segundo o material Projeções do Agronegócio, do Ministério da  Agricultura, a projeção de soja em grão para os próximos 9 anos, ou seja, a safra de 2026/2027:

  • terá um crescimento de 146,5 milhões de toneladas, representando um aumento de 29,7% em relação à safra de 2016/2017. É um crescimento abaixo dos últimos 10 anos no Brasil, que foi de 89,8% (Conab);
  • O consumo doméstico do grão deve atingir de 58,4 69,2 milhões de toneladas, aumentando 23,4% até 2026/27;
  • A área de plantio deve aumentar 9,3 milhões de hectares nos próximos 9 anos, chegando a 43,2 milhões, representando um aumento de 27,5% da área atual;
  • A soja deve obter sua expansão de fronteiras em regiões onde ainda podemos encontrar terras disponíveis, pela ocupação de terras de pastagens e pela substituição de lavouras onde não há terras disponíveis para incorporação. Mas a maior tendência brasileira é a expansão sobre terras de pastagens naturais.

Em resumo, o Brasil seguirá sendo o grande celeiro mundial na produção de soja do globo. Juntando as áreas de pastagens degradadas e outras áreas disponíveis, principalmente na região Centro-Oeste e Norte, o crescimento da produção de soja deve continuar crescendo.